08/10/2026

Foto: Raquel Montero / Ribeirão Preto/SP
O projeto que acaba com a escala de trabalho 6×1 ( 6 dias de trabalho e apenas 1 de descanso), e reduz de 44 para 40 horas, no máximo, a jornada semanal de trabalho, estabelecendo que se tenha, pelo menos, 2 dias semanais para descanso (ou seja, no mínimo, escala 5 x 2), todas as mudanças sem redução de salário, chegou dia 06 de outubro no Senado para ser analisado e votado. O projeto é chamado pela legislação brasileira de proposta de emenda à Constituição Federal (PEC).
A PEC tem o apoio, a defesa e aprovação do presidente Lula, sendo uma das prioridades do seu governo. O projeto também já foi aprovado pela Câmara Federal, e só está aguardando a votação no Senado para ser definitivamente criado e passar a valer na prática.
Flávio Bolsonaro, que é senador e candidato a presidente do Brasil, já manifestou que é contra essas mudanças e que lutará para que não sejam aprovadas. Os únicos votos contrários à essas mudanças no Senado foram de senadores aliados de Flávio Bolsonaro, sendo muitos deles do mesmo partido político de Flávio, o PL. Seu coordenador de campanha, Rogério Marinho, e também do mesmo partido de Flávio, tentou impedir a votação dessas mudanças.
O presidente Lula pediu agilidade na tramitação da votação para que as mudanças sejam aprovadas ainda neste ano de 2026. Se ficar para o ano que vem,
De acordo com reportagem recente da tradicional revista sobre economia, FORBES, algumas das maiores economias do mundo já miram escalas de trabalho ainda menores. Na Alemanha, durante o ano de 2024, um teste de 4 dias de trabalho durante a semana, resultou na adoção definitiva dessa escala por 73% das empresas participantes. O teste mostrou que o faturamento das empresas foi mantido em menos tempo de trabalho, com maior produtividade e melhores índices de saúde e bem-estar.
Não por acaso, os países com as menores jornadas de trabalho também estão no topo dos rankings de qualidade de vida e equilíbrio profissional. Uma das referências globais para monitorar esses indicadores é a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne 38 das nações mais desenvolvidas do mundo. Veja os países da OCDE que registram as menores jornadas médias semanais;
Holanda: 30,3 horas
Dinamarca: 32,8 horas
Alemanha: 34,2 horas
Noruega: 34,4 horas
Áustria: 34,8 horas
Bélgica: 34,9 horas
Irlanda: 35,1 horas
Finlândia: 35,4 horas
Austrália: 35,6 horas
Suíça: 35,8 horas
E também, com base em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a redução da jornada de trabalho deve ser tratada como questão de saúde pública. Dados da OMS e da OIT associam jornadas longas de trabalho a maior risco de AVC e doenças cardíacas, bem como, trabalhadoras e trabalhadores tendo mais descanso tendem a cometer menos erros e sofrer menos acidentes, além de terem mais equilíbrio entre vida profissional e pessoal, porque a vida não é só trabalho, e se for só trabalho, ficará desequilibrada, mesmo.
Raquel Montero