Vai curar seu preconceito


Foto: Reprodução

 

          A tempestade parece que não quer ir embora. Agora é essa. No último dia 15 de setembro, o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, da 14ª Vara do Distrito Federal, concedeu uma liminar para cura gay. Isso mesmo, uma liminar autorizando que psicólogos ofereçam pseudoterapias de reversão sexual, popularmente chamadas de cura gay.

 
O juiz determina que profissionais não sejam impedidos "de promoverem estudos ou atendimento profissional, de forma reservada, pertinente à (re)orientação sexual, garantindo-lhes, assim, a plena liberdade científica acerca da matéria, sem qualquer censura ou necessidade de licença prévia".
 
Gente! Com tanta coisa importante acontecendo e para ser resolvida, como moradia, educação, transporte público, tanto processo importante para o juiz trabalhar neles, e o cidadão, um juiz, vai se importar com a vida sexual dos outros, com quem as pessoas querem amar, namorar, transar, casar. A isso se prestou um juiz.
 
 
Para dar liminar para garantir mais moradias populares, mais vagas em creches, em escolas, ai não vem a liminar. Agora para intervir na vida sexual e amorosa dos outros, ai vem liminar.
 
 
O que que cada pessoa tem a ver com a vida sexual e amorosa da outra pessoa?  Tanta coisa para se resolver nesse mundo, tanta criança sem comer, tanto jovem sem vaga em escola, tanta gente morando em favela, e a preocupação de algumas pessoas, a liminar de um juiz, a urgência, é com a vida sexual e amorosa da outra pessoa. Gente! Ai não!
 
 
Quando, em 1.999, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou do CID (Código de Identificação da Doença) a homossexualidade como doença, ela retirou com embasamento científico, e não com opiniãozinha. E por que ela retirou? Porque ficou comprovado que a homossexualidade constitui uma variação natural da sexualidade humana, não podendo ser, portanto, considerada uma patologia. 
 
 
Quando o Conselho Federal de Psicologia (CFP) editou a Resolução 01/99 para determinar que "os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados", foi por reconhecer como legítimas as orientações sexuais homossexuais e bissexuais.
 
 
Agora, pensando pela cabeça de quem defende a cura, se é doença, então essa galera vai ter direito a aposentadoria por invalidez ou auxílio-doença? Se é doença, tem que ter direito, né?! Ou ainda, se é doença e a galera for recorrer ao SUS do desmonte do Temer e sem os Mais Médicos de Dilma, vai todo mundo morrer gay nessa vida, né?!
 
 
A homofobia mata. A livre orientação sexual além de não matar ninguém, só reproduz mais amor.
 
 
O amor não é doença, é a cura para todos os males. O preconceito sim, está deixando muitas pessoas doentes e causando assassinatos. Então, deixemos o amor fluir, como quer que ele seja, o que importa é ser amor. Não foi isso que disse Jesus? "Ame o próximo". Aliás, qual era mesmo a orientação sexual de Jesus, com quem ele namorou, casou, transou?
 
Raquel Montero


Veja outras notícias

30/11/2018 - Na eleição da OAB de Ribeirão Preto foi eleita a renovação
19/11/2018 - União homoafetiva aumentou mais do que as uniões entre heterossexuais
22/10/2018 - Compartilho dos motivos da minha decisão em concorrer para a nova diretoria da OAB - 12º Subseção
05/09/2018 - Entrevista para a Revide sobre baixo número de candidaturas de mulheres
07/08/2018 - Entrevista sobre os 12 anos da Lei Maria da Penha
09/05/2018 - Palestra sobre a Lei Maria da Penha
21/03/2018 - Violência doméstica ou familiar contra a mulher e o direito a indenização por dano moral
16/03/2018 - Democracia e representação das diferenças em palestra em escola estadual
09/03/2018 - Atividades da Semana 8M
07/03/2018 - Mudança de prenome e sexo direto no cartório
Vídeos e Entrevistas
meu canal no youtube
Entrevistas em
jornais e revistas
Fotos
Blog
Facebook

escritório
Rua Cavalheiro Torquato Rizzi, 1267
CEP 14020 300Jardim IrajáRibeirão PretoSP
(16) 3013 9636 (16) 99222 7411
raquel@raquelmontero.adv.br