O discurso de Temer e a pobreza de espírito


   
 
     Desde o último Dia da Mulher, fico rememorando o discurso de Michel Temer. Cada vez que lembro, o fato fica pior por todos os ângulos, em todos os aspectos. Não consigo imaginar como ele conseguiu ser tão horrível. Foi de uma pobreza de espírito enorme.
    Relembrando; “Tenho absoluta convicção, até por formação familiar e por estar ao lado da Marcela, do quanto a mulher faz pela casa, pelo lar. Do que faz pelos filhos. E, se a sociedade de alguma maneira vai bem e os filhos crescem, é porque tiveram uma adequada formação em suas casas e, seguramente, isso quem faz não é o homem, é a mulher […] ela é capaz de indicar os desajustes de preços em supermercados e identificar flutuações econômicas no orçamento doméstico”.
   Em suma, para Temer, mulher entende de lar, família e supermercado, e não é papel do homem cuidar da família e dos filhos, mas sim e tão somente, da mulher.
   E o espanto não ficou só para nós. Os principais veículos de comunicação da mídia internacional criticaram a fala do atual ilegítimo presidente brasileiro.
   Para a CNN, Michel Temer foi merecidamente criticado por “elogiar as habilidades das mulheres no supermercado” em um dia que se celebra a luta histórica das mulheres por direitos.
    A rede de televisão americana também disse que o presidente foi acusado de ser machista por milhões de brasileiros nas redes sociais. A reportagem afirma ainda que o governo Temer tem recebido críticas mais amplas da população e que tem tido níveis de aprovação muito baixos desde que ele assumiu o cargo no lugar de Dilma Rousseff.
   O El País falou sobre o discurso de Temer em reportagem intitulada “O presidente do Brasil reduz o papel da mulher à casa e ao supermercado“.
   O “The New York Times” também repercutiu o assunto, com um texto chamado “Brasileiro Temer irrita mulheres com elogio às suas habilidades no supermercado”. O texto lembra que Temer assumiu em maio com uma equipe toda masculina. “Agora, seu gabinete de 28 membros tem duas mulheres”, diz.
   O jornal britânico Telegraph lembra que Temer já é impopular entre as mulheres por seu papel no impeachment da primeira presidente mulher do Brasil, por ter abolido o Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos e por ter assumido o poder com um gabinete inteiramente masculino.
   O também britânico The Independent disse que a fala de Temer foi ‘sexista’ ao lembrar que “o presidente brasileiro parabenizou as mulheres por ‘tomarem conta da casa, educarem as crianças e checarem preços no supermercado'”.
  “Especialistas em trabalho doméstico, crianças, compras: Michel Temer quis fazer um cumprimento às brasileiras no Dia das Mulheres. Mas a tentativa do presidente brasileiro saiu pela culatra”, apontou o jornal alemão “Frankfurter Allgemeine“.
  O que era para ser uma homenagem, enalteceu o papel machista, e ainda mostrou claramente a concepção que o presidente (ilegítimo e com "p" minúsculo mesmo) tem das mulheres e do papel de mulheres e homens na sociedade.
   Pensar na mulher apenas vinculada ao papel do lar é retroceder a história. O discurso de Temer foi um insulto às mulheres, às lutas e conquistas das mulheres e dos movimentos que buscam igualdade de gênero na sociedade.
   Concluo esse texto parafraseando a senadora Gleisi Hoffmann do PT, que disse; "...não é demérito nenhum o trabalho de dona de casa e o trabalho do lar, como é chamado vulgarmente na nossa sociedade, o que é demérito é a sociedade não reconhecer esse trabalho como essencial ao desenvolvimento humano, aliás, a organização da própria sociedade não reconhecer esse trabalho financeiramente, economicamente...."
  Foi Gleisi a autora de várias emendas e medidas provisórias para regulamentar a aposentadoria das donas de casa. Tais projetos da senadora resultaram em 2005 em alteração da Constituição Federal para estabelecer o direito à essa aposentadoria. O primeiro reconhecimento econômico-financeiro de um trabalho que dá sustentação à sociedade como nós a conhecemos.
    Por outro lado, foi Temer o responsável por tirar da Presidência da República a primeira mulher presidenta.
   Raquel Montero 
Arte: Reprodução/Site Pragmatismo Político


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