Paulo Freire, o Ministro da Educação e um Professor


Foto: Reprodução/Arquivo pessoal
 
 
 
 
"Educar é impregnar de sentido o que fazemos a cada instante". Essa frase é de Paulo Freire, terceiro teórico mais citado em trabalhos acadêmicos no mundo segundo o Google Scholar, ferramenta de pesquisa sobre literatura acadêmica. Paulo Freire é o brasileiro mais homenageado em todos os tempos, com 29 títulos de Doutor Honoris Causa por universidades da Europa e da América.
 
 
Paulo Freire foi verdadeiramente um revolucionário na Educação, e antes de tudo, uma pessoa sensível e que tinha amor pelo ser humano e no que fazia, ingredientes que fazem diferença onde se está, com quem se está e no que se está fazendo. Talvez, justamente de seu amor pela Educação, é que tenha sido gerada a revolução que fez. O amor é revolucionário onde quer que aconteça.
 
 
A vida nos mostra e a História nos ensina que em diferentes áreas, diferentes locais, diferentes eras, tem sempre alguém, ou bem mais que uma pessoa, que dá mais sentido a algo feito de maneira igual e mecânica por outras pessoas, que são bem mais que as anteriores. Convivemos com os dois extremos, o bem o e o mal. Mas do mal, nem tudo está perdido, porque do caos também sai a revolução, as transformações.
 
 
Hodiernamente temos um Ministro da Educação, do Governo Bolsonaro, Abraham Weintraub, que instruiu as pessoas a xingarem comunistas, ao invés de conversarem, dialogarem. E disse que quando for dialogar com comunistas, não se pode ter premissas racionais. Veja a que ponto chegamos, um ministro instruindo as pessoas a xingarem outras pessoas.
 
Sobre Paulo Freire, o novo Ministro da Educação fez declarações relacionando a pedagogia de Freire com os baixos indicadores da educação brasileira, mostrando desconhecer tanto Paulo Freire quanto sua ideologia. Como escrito acima, Paulo Freire é o terceiro teórico mais citado em trabalhos acadêmicos no mundo!
 
 
Com o anterior Ministro da Educação, Ricardo Vélez, só ficou a certeza de que, de fato, não há um planejamento dentro do Ministério da Educação. Parece que não há sequer um ministério. O Ministério da Educação (MEC) do governo atual até agora não se posicionou com os cortes de pessoas e verbas, com a existência de qualquer plano para a Educação.
 
 
Ambas as pessoas colocadas como ministros, o ex e o atual, demonstram não terem a menor experiência com a educação pública brasileira, a menor experiência com gestão, e além disso, demonstram flagrantemente que não há a menor disposição de aprender ou ouvir as pessoas que estão interessadas no assunto e podem contribuir com ele. O diálogo novamente cerceado pelo Ministro.
 
 
Até agora o MEC não apresentou sua visão sobre o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB). Isso quer dizer que uma das principais peças da engrenagem da Educação no Brasil não está recebendo a menor atenção do Ministério pertinente. Outra situação paralisada é a formação dos professores. Estávamos com vários projetos em andamento que faziam avançar e progredir esse assunto , agora, não tem mais nada, está tudo engavetado. Tal comportamento dá margem a que as pessoas pensem que o que esse governo quer dizer com isso é que qualquer tipo de formação vale ou a formação do professor não é importante.
 
 
Concomitantemente, fazendo contraste com o que estamos assistindo no MEC, sai de um pequeno município do interior do Estado de São Paulo, na pequena Serrana, a atitude excêntrica de um professor que"impregnando de sentido o que estava fazendo", e fazendo o que deveria sempre fazer um professor, despertando as virtualidades do educando, surpreendeu e revolucionou o seu quadrado.
 
 
Ricardo Brasileiro Bernardo, o professor de que estamos falando, é professor de História na Escola Estadual Neusa Maria do Bem, em Serrana/SP. Esse professor, observando em determinado aluno uma habilidade que pode ser o seu talento, ou um de seus talentos, no caso, a habilidade e talento de desenhar, investiu e valorizou, e pediu para o aluno para que ao invés de fazer a prova em seu formato tradicional, a fizesse na forma de desenho, representando o modo de vida no neolítico e paleolítico. O aluno tem 15 anos e cursa o primeiro ano do Ensino Médio.    
 
 
O aluno assim fez. O Professor Ricardo ficou tão surpreendido positivamente com o resultado da avaliação que publicou o fato na rede social Facebook, na internet. Em menos de uma semana a imagem recebeu mais de 11 mil curtidas, além de outros 10 mil compartilhamentos.
 
 
 Foi um professor, lá do pequeno município de Serrana que buscando "impregnar de sentido o que estava fazendo", fez notícia boa que extrapolou a pequena Serrana para chegar a outras mentes e corações. Um instrui a xingar, o outro ensina a despertar e valorizar virtudes, ambos em uma função tão importante, que tanto pode transformar e mudar o cenário em que vivemos, para melhor ou para pior, a depender do que se faz e como se faz.
 
 
Nessa diferença, será sempre necessário e bom que tenhamos discernimento para ficarmos com o que é bom e faz bem, para não ficarmos tropeçando em retrocessos. A História trata de fazer as consagrações, como fez com Paulo Freire, e as pessoas devem fazer bem as seleções, senão não haverá projeto de desenvolvimento nem efetivo desenvolvimento em qualquer época para uma área tão importante para o desenvolvimento humano, como é a educação. Ficaremos a sonhar, reclamar e reivindicar, sem realizar.
 
 

Raquel Montero   



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