8 de março em Ribeirão. Um dia de luta!


 
 
Ontem vivemos mais um 8 de março para comemorações e lutas, sobretudo, lutas, reivindicações e protestos. Avançamos em muitas conquistas, mas ainda há muito o que fazerrmos para acabarmos com as desigualdades, injustiças e violências na relação entre homens e mulheres e no tratamento diferenciado que a sociedade e o mercado de trabalho fazem entre homens e mulheres, e a realidade está ai para provar essa desigualdade.
 
 
A cada 05 minutas uma mulher é vítima de violência no Brasil, em 70% dos casos o agressor é o próprio marido ou ex-marido, companheiro ou ex, namorado ou ex. Em 70% dos casos a violência aconteceu dentro de casa, do ambiente doméstico e familiar. 50% das mulheres que tiram licença-maternidade no Brasil não conseguem retornar ao mercado de trabalho, simplesmente porque se tornaram mães. As mulheres ganham cerca de 30% a menos que os homens, apesar de desempenharem a mesma função, o mesmo trabalho, e se a mulher for negra, ganha ainda menos que a mulher branca com relação ao homem. Em 2017 tivemos 445 mortes de pessoas da população LGBTI+ no Brasil, em 2018, antes de encerrarmos o mês de dezembro, o Brasil já registrava cerca de 398 mortes de pessoas da população LGBTI+.
 
 
Na última eleição avançamos na ocupação de espaços em algumas esferas da federação, mas a discrepância ainda é enorme. Na eleição de 2014 para a Câmara Federal, de 513 cadeiras, foram eleitas apenas 51 mulheres, deputadas federais, o restante, homens, deputados federais. Na eleição de 2018, das 513 cadeiras, foram eleitas 77 mulheres, o restante, homens. No Senado, de 81 cadeiras, na eleição de 2014 foram eleitas 13 mulheres, na eleição de 2018 foram eleitas 07 mulheres, o restante, são homens, senadores. Na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, de 94 cadeiras, na eleição de 2014 foram eleitas 11 mulheres, deputadas estaduais, o restante, homens, deputados estaduais, e na eleição de 2018 foram eleitas 18 mulheres, o restante homens. Na Câmara Legislativa de Ribeirão Preto temos apenas 01 vereadora para 27 cadeiras, o restante são homens, vereadores, na eleição de 2009 foram eleitas 02 mulheres para 20 cadeiras, na eleição de 2012 foram eleitas 02 mulheres para 22 cadeiras. Dilma foi a primeira mulher presidenta do Brasil, o restante, todos homens. Darcy Vera foi a primeira mulher prefeita de Ribeirão Preto, o restante, homens, prefeitos. Fátima Bezerra do PT foi a única mulher eleita governadora no Brasil na eleição de 2018, no Rio Grande do Norte.
 
 
As mulheres são a maioria da população brasileira, representam cerca de 52% da população, e os homens 48%, em Ribeirão Preto/SP essa percentagem se repete. Nós, homens e mulheres, temos que ter consciência e certeza de que não existirá projeto de desenvolvimento para o Brasil, nem efetivo desenvolvimento, se todas as diferenças não estiverem representadas na parte central desse projeto. Não existirá projeto de desenvolvimento para o Brasil, nem efetivo desenvolvimento, se a mulher não estiver na parte central desse projeto.
 
 
Não existirá liberdade para o povo brasileiro se nós não garantirmos liberdade e respeito à todas as pessoas, se nós não garantirmos liberdade e respeito às mulheres. Não teremos desenvolvimento se não revogarmos a reforma trabalhista, que precarizou as condições de trabalho no Brasil e permitiu que trabalhadores e trabalhadoras passassem a ganhar menos que 01 salário mínimo por mês, que permitiu que trabalhadoras grávidas, lactantes, possam trabalhar sob condições insalubres e perigosas. Não teremos desenvolvimento se não revogarmos a Emenda Constitucional 95 que cortou investimentos por 20 anos no Brasil para as áreas sociais da saúde e da educação.
 
 
Interessante notar que os mesmos que aprovaram essa emenda não cortaram dinheiro para pagar a dívida pública, para pagar os bancos e as financeiras desse país, mas cortou dinheiro para a saúde e a educação. E ai, mais uma vez a primeira pessoa a ser prejudicada e responsabilizada é a mulher, porque toda a vez que o Estado falta nas escolas, nas creches, nos postos de saúde, nos hospitais, são as mulheres que são responsabilizadas, porque são as mulheres que têm que deixar seus trabalhos para ficar em casa cuidando de seus filhos porque não tem vaga em creche, são as mulheres que têm que ficar nas filas dos hospitais, dos postos de saúde porque não tem médicos/médicas para prestar o atendimento.
 
 
Há muito o que mudar ainda, por isso, mais um 8 de março de lutas. E aqui em Ribeirão Preto/SP fizemos a nossa manifestação nesse 8 de março, no centro da cidade, no calcadão de Ribeirão em frente ao Teatro Pedro II, inclusive com contestações e reivindicações de competência de todas as esfera da federação, federal, estadual e do governo municipal, que aqui em Ribeirão desde de 2017 é comandado pelo Prefeito Duarte Nogueira do PSDB.
 
 
Mulheres representando movimentos sociais, partidos políticos, sindicatos, entidades de classe, organizações não governamentais, estudantes, se manifestaram e elaboraram um manifesto que foi distribuído para a população de Ribeirão, bem como uma carta de reivindicações onde também foi coletada assinaturas de pessoas da população para ser entregue ao Prefeito, aos vereadores, a vereadora e aos representantes do Judiciário da comarca de Ribeirão.
 
 
Essa carta de reivindicações consiste em necessidades urgentes do município de Ribeirão, tais como mais creches para extinguir com o déficit de cerca de 3 mil crianças sem vagas em creches, a criação da Secretaria Municipal da Mulher e o funcionamento 24 horas da Delegacia de Defesa da Mulher.
 
 
Demos o recado e o tom de nossos anseios. Mostramos que a luta por igualdade, respeito e liberdade para todas as pessoas continuará, independente dos obstáculos que queiram colocar no nosso caminho. Tirem suas armas, tirem seu ódio do nosso caminho que nós vamos passar com o nosso amor, nossa esperança e nossa luta por igualdade, respeito, liberdade.
 
Raquel Montero
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


 



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