Pela libertação dos pássaros presos em gaiolas

01/03/2019


Foto: Reprodução
 
 
 
 
 
Fiz esta poesia em defesa da libertação de todos os pássaros que, lastimavelmente, ainda hoje, vivem (ou sobrevivem) presos em gaiolas. Um hábito maléfico que tortura outro ser vivo.
 
 
 
 
 
Pela libertação dos pássaros presos em gaiolas
 
 
 
 
Pássaro voa.
Asas a natureza te deu.
E te deu para voar
e não para te engaiolar.
 
 
 
Pássaro voa,
que há tanta imensidão,
e privá-lo de conhecê-la,
é condenação.
 
 
 
Pássaro voa
e mostra toda sua exuberância.
Rodopia,
dança no vento,
toma banho na chuva,
bica a pipa,
compete com o avião,
come semente misturada com grão.
Viaja sob suas asas,
do sul até o sertão,
sem pagar frete nem poluir a nação.
 
 
 
Pássaro voa
e canta a alegria de viver livre,
podendo escolher onde quer dormir,
parar, observar, amar, voar.
Mostra que livre manifesta seu canto,
e na gaiola seu canto virá lamento,
grito de socorro,
choro de seu sofrimento.
 
 
 
Pássaro voa
e tenta escapar da gaiola que te aprisiona,
que te mutila as asas,
que te condena à solidão,
na mais fúnebre prisão,
que nem ao menos te permite bicar o chão.
Chão que tão longe está,
assim como longe está o céu, de sentir as batidas do seu coração,
que na gaiola já não bate porque perdeu a emoção.
 
 
 
Pássaro voa
e salva seus amigos das gaiolas
que lhes roubam as almas
e as comercializam para os homens sem compaixão,
que não enxergam o encanto de te ver voar livre
e cantar as letras que abriga seu coração.
 
 
 
Pássaro voa
e instiga os seres de bom coração,
à buscar a libertação
de todas as formas de opressão,
que dilaceram os sentimentos,
corroem os sonhos,
entristecem os pensamentos
e aniquilam com a essência da criação,
que te fez pássaro e não vegetação.
 
 
 
Pássaro voa
e ensina que sua vida é da natureza
que te gera, te protege e te cria
na mais sábia harmonia,
sem nunca te aprisionar nem impor carta de alforria.
Ensina que sabe viver sem precisar do alpiste humano
que te impede de trabalhar
no falso argumento
que faz isso por te amar.
Ensina que o humano que te ama,
 abre a gaiola para você voar,
e viver a vida com a liberdade que as asas do seu corpo
foram feitas para desfrutar.
 
 
 
Pássaro voa
e ensina que aquele que te mantém preso,
preso também está,
na ilusão de que se consegue engaiolar um coração,
quando na verdade o que se tem
é um corpo em destruição.
 
 
 
Ensina que para te ouvir cantar não precisam te prender,
basta uma árvore plantar ou o céu observar,
e assim, seu canto não será lamento,
mas expressão do seu contentamento,
pela liberdade que respeitaram
que fosse vivida como anseia seu sentimento.
 
 
Raquel Montero

    



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