O machismo nosso de cada dia hoje é o de José Mayer


 
 
 
   Semana passada eu fui, como advogada, acompanhar um cliente para prestar depoimento em um inquérito policial. Na Delegacia, em seu depoimento, meu cliente fala ao escrivão de polícia do abuso praticado por policiais militares ao entrarem na casa de uma pessoa, às 21hrs, sem autorização da moradora. 
 
 
  Na sequência o escrivão começa a lamentar o fato denunciado pelo meu cliente e corroborado por depoimento de outra pessoa no mesmo inquérito, e desabafa, quando pergunto a ele, em outro momento, se ele gostava do trabalho dele; "quando entrei, há dois anos atrás, gostava mais. Agora não quero mais continuar. Tem coisas que vi aqui e não gostei."
 
 
   Foi bom ver o lamento e desabafo de um servidor público, demonstrando estar sendo sincero nessas atitudes. Ao mesmo tempo, foi ruim ver como os erros dos outros provoca tanto sofrimento.
 
 
    Da mesma forma interpretei também o machismo do ator José Mayer. 
 
 
    Ver mais um ato de machismo, e tão escancarado, foi penoso. Mas ver a reação à esse machismo, foi revigorante e fortalecedor, foi um conquista para o feminismo, uma conquista para a sociedade.
 
 
    Quando a figurinista Susllem Tonani tomou a decisão de publicar um texto acusando o ator José Mayer de assédio sexual sistemático (foram cerca de oito meses) estava sozinha e não estava. Sua decisão foi solitária, mas veio depois de anos de mobilizações feministas que buscam tirar da invisibilidade as mulheres e seus onipresentes relatos de assédios sofridos e emudecidos. E, se estava sozinha no momento da publicação, poucos dias depois se viu apoiada por uma mobilização de outras mulheres e de homens também.


   A denúncia corajosa de assédio sexual no blog #agoraequesaoelas, hospedado no site do jornal Folha de SP, levou  a retirada do conteúdo do ar, passando pela resposta inicial jocosa de José Mayer chegando ao desfecho importante: a suspensão do ator e sua carta em que reconhece o assédio.
 
    E ainda, como fato bom, a maior lição desse episódio: Precisamos denunciar e precisamos nos solidarizar. Susllem denunciou, superou vários obstáculos para isso. Outras mulheres publicaram a denúncia na imprensa e bancaram a publicação, uma rede poderosa de mulheres se solidarizou. A reação trouxe resultados. Essa foi a grande lição; Denunciar e solidarizar. 
 
 
    E precisamos, sem violência, com sabedoria, mostrar para o agressor o seu erro, de maneira a verdadeiramente fazer com que ele se corrija. 
 
 
   José Mayer, depois de ser jocoso, se retratou e reconheceu o assédio e seu erro. Há serenidade no perdão ao anunciar-se fruto da geração patriarcal. Há ai confortos e vantagens.
 
 
   Pedir desculpas é importante. Escrevê-las é um ato de coragem. No entanto, só o tempo dirá se a pessoa que assim agiu, foi sincera e mudou, e será mesmo alguém melhor para promover a igualdade entre homens e mulheres na sociedade brasileira.
 
   No caso de José Mayer, com mais de 60 anos, ele também pode ser um porta-voz de como o assédio masculino é prática maléfica para a civilização. 
 
 
     Raquel Montero
 
 
Foto: Reprodução


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